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Pé de Galinha
João Odilon Hau Filho
Qual a relação entre pé de galinha e barcos? Bem, alguns podem pensar na patroa, sem protetor solar, ficando horas ao sol ao seu lado dentro de uma embarcação, enquanto tentam pegar aquele robalo de 25 quilos. Pés de galinha ao lado dos olhos, na certa! Outros pensariam naquele farnel preparado na véspera do dia de colocar o barco na água, com farofa, cerveja, tubaína para as crianças, e, claro, a galinha assada da qual esqueceu-se de tirar os pés! Não é nada disso! Trata-se apenas do mais simples sistema de propulsão de barcos. Mas existem outros, mais sofisticados. Vejamos: PÉ DE GALINHA: Sistema bastante simplificado, onde o eixo do motor, localizado no centro do barco ou próximo deste, é ligado diretamente ao hélice. Geralmente são utilizados neste sistema motores automotivos, com a caixa de reversão, onde, por meio de acoplamento elástico, transmite-se a força ao hélice por um eixo que transfixa o casco em ângulo bastante agudo. Como vantagem, tem-se o baixo custo de construção e manutenção e, como maior problema, o grande espaço exigido no barco para sua instalação. MOTOR DE CENTRO-RABETA: Ao contrário do anterior, o motor, localizado mais à popa, está ligado ao eixo do hélice por um eixo vertical e um sistema de engrenagens cônicas, economizando, assim, espaço, sua maior vantagem. Como desvantagem temos a complexidade do sistema e seu peso. HÉLICE DE SUPERFÍCIE: Derivação do centro-rabeta, apenas com o eixo do motor saindo diretamente na popa, onde, por um mecanismo hidráulico, existe a possibilidade de, após o planeio, suspender o hélice, ficando metade dele acima da superfície da água. Como maior vantagem há uma diminuição substancial do atrito do hélice com a água. Indicado para barcos velozes. MOTOR DE POPA: Sistema onde o motor, rabeta e hélice ficam literalmente fora da embarcação, ou “outboard”. Suas vantagens são a liberação de espaço dentro do barco e a facilidade de retirar o motor quando necessário, pois este é fixado diretamente no espelho de popa. HIDROJATO: Sistema com o motor localizado próximo à popa e ligado a uma bomba de água. Esta capta a água por uma abertura no fundo do casco e a acelera e direciona através de um duto no espelho de popa, que também serve como leme. Como não há nada que ultrapasse a linha inferior do casco esta é sua principal vantagem, pois pode-se navegar com pouco calado. Como desvantagem tem-se o baixo rendimento, com perda na ordem de 15% comparando-se com motor de popa, por exemplo. Existe ainda a tração animal, mas esta somente é utilizada quando qualquer uma das outras falhar, por falta de manutenção do barco, ou até de gasolina, e se verifica no momento em que o “animal” responsável por tal situação tem que pegar no remo! Em tempo: Note-se que hélice, em náutica, é artigo masculino: “O” hélice. Ao contrário da aviação, onde se diz “A” hélice.
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